domingo, 11 de janeiro de 2009

O MENINO, O VENTO E O MAR

Porque o mar, tempestuoso ou sereno, árido ou fértil, só nos dá
o que nele formos buscar

Uma vez era, entre tantos outros, um menino
Desses que quando olhava da areia o mar, não olhava, via e ouvia.
Desses que , ainda sob as estrelas , enquanto os outros meninos dormiam, espreitava.
Vinham os homens e arrastavam do jirau as redes,
deslizavam pelas areia seus barcos e suas tralhas.
A culpa era deles que partiam dali , bem em frente à fresta do seu quarto
Ou seria do vento, que cedo lhe soprara boca adentro o cheiro de maresia?
O menino era assim: pasta de areia e água
Lá fora as ondas tangenciavam os cascos
O menino estendia a camisa aberta sobre a cabeça e desancorado, corria.
O menino mareava em terra.
A tarde devolvia os homens, os barcos e os peixes. As pessoas vinham vindo, cercavam os barcos
O menino sentia-se pronto, para o mundo era um menino miúdo
Solitário apresentava-se ao mar, voluntário de um exército ainda futuro.
O vento balançava-lhe a bermuda...
Só ele , o vento e o mar.
Alguém gritou da janela:
_Menino! Entra! Tá frio!
Obedeceu.
Lá fora, o vento velava um barco ao mar
Mar de leitos de rios, água doce em sal.
L.A
PRÊMIO LITERÁRIO
"Anais da Fliporto 2006"- 2º lugar, Festa Literária de Porto De Galinhas-, pp.,18 - EDITORA CIA DO LAZER

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