sexta-feira, 2 de março de 2012

reflexão





O que nos faz forte
não é a espada
o corte, o sangue derramado.


O que nos faz forte
é o abraço, o riso, o perdão
a prece , a mão desarmada
a esperança reconstruída.

( sopro ao ouvido)

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

(sopro ao ouvido)



Nem tão nus viemos ao mundo
mas protegidos com a maior das armaduras
para o corpo e o espírito: a doçura.

terça-feira, 29 de março de 2011

Três Poemas



JORGE VICENTE- PT


talvez escrever
seja ascender um pouco mais na minha
condição de humano

digo ascender
porque não posso dizer entregar
o corpo ainda não me permite

ainda se sustém
no ritmo das sílabas
na junção de cada uma das palavras,
no encadeamento subtil
de cada respiração
que leva a outra e a outra e a todos os
caules das árvores abertas
ou por abrir

talvez ascender
demore a conjugação do corpo
com o sexo aberto das árvores

e não permita a vivência
e o sentir desmesurado de
ser-se
presente na nascência das folhas.


Fonte: A alma do Jorge
e Revista Triplov

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

QUE OS SINOS DOBREM




Neste Natal,
As casas de Porto Príncipe não acenderão suas luzes
Não há paredes e tetos para serem iluminados.
Os meninos não pedem presentes
Muitos querem, apenas, o colo de mãe e riso de irmão.
Os meninos de Porto Príncipe
Como todos os outros meninos do mundo sonham.
Sonham com banhos em água abundante e limpa
Sonham com uma casa de paredes fortes
Que as cozinhas deixem de habitar as calçadas.
Os meninos de Porto Príncipe sonham
Com os portões das escolas abertos
Com a vida deslizando nos trilhos da rotina.
Neste Natal
Os meninos do Haiti pedem a simplicidade de ser menino.

Luísa Ataíde

sábado, 4 de setembro de 2010

Z?


Ontem à noite, aqui no parque, choveu muito. As folhas acumuladas na última semana  foram-se com a água. Hoje o sol está tão forte que temos que sair de casa antes dele. É preferível que seja, elas começam a chegar depois das sete. Elas, as naves longas e emborrachadas. Cada vez mais ligeiras, passam rente nossas cabeças. O apocalipse é todos os dias.
Todos os dias milhares de nós são dizimados no planeta. Dizem que há guerras imensas neste mundo. São Projéteis gigantes que cruzam o céu. Os mais velhos nos contam que eles matam por muito pouco. Será verdade? È possível, nunca deixaram de nos triturar, mas sabem que existimos, há livros sobre nós, nossa anatomia, histórias inteiras de nossos antepassados. Os mais jovens, às vezes, param e nos observam: então sabemos que não somos invisíveis. Há perigo nisso também. Louvados sejam os bons corações dos meninos.
Dizem que há vida depois do lago. O lago é aquele em que moram os peixes gigantes. Os meninos vão até lá e dão pães aos peixes. Os meninos sorriem, o barulho do riso é agradável. Nossas crianças sorriem em perfeito silêncio, a infância é curta. Mas cá embaixo, depois do grande túnel , a vida é serena. Há lagos sem peixes e muita fartura de folhas. Dividimos o trabalho e as crianças aprendem. Se quisermos as estrelas, vamos até lá fora e, abrimos os braços para elas. Se não houver muita brisa não há perigo. Vivemos aquém do muito. Nem muita chuva, nem muito sol, nem muito vento.
Dizem que o planeta é dez vezes o lago dos meninos e dos peixes. Será que existe um planeta assim? Há em tudo uma centelha divina, nos diz o grande livro. Eles, os meninos e seus pais, devem ter a tal centelha também. Quem sabe um dia já fomos como eles, mas todo o ser vivente, evolui nos diz a extrema Sabedoria. À noite, em círculos, sob as estrelas, damos as mãos e agradecemos. Agradecemos por estar num planeta dez vezes maior que o grande lago, e convivermos com seres tão primários. Fugir sempre deles faz parte do nosso crescimento, quem sabe a última missão até ascendermos em direção às estrelas.

L.A

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

MISS ALOA GREEN- CONTO




Being a Caterpillar can seem to be easy, but when everything in your circuit is very big, every day is a dangerous game. 
I am from this garden, it's my home. I see the stars in the dark sky, I feel the wind blowing through the trees.

 I get up early, at four o'clock, before the sun rises. I live under the grove of trees, next to the white wall. I think there is life beyond the white wall, but the earthworms laugh at me; they don't believe it can be true.

However, he does. He is a Catterpiller like me. He is handsome. Every day he walks in front of my window: _ 

Good morning, Miss Aloa! 
-Good Morning! 
- It's nice to see you!
 _ It's nice to see you, too Mr. Gilbert! 

He and his umbrella go at noon.

In the winter, it doesn't snow, but it is very cold. I wear boots. Hom many? Sixteen. 
The summer is my favorite season. There are fruits, flowers and the bird's sing. Thus are the summer days in the South America.
But nothing is perfect in this world. On Saturday the gardener waters the plants. He makes an ocean in our lifes. Then, I go to school by boat. That is not all... when he uses the lawn mower... it is the "Apocalipse".



My greatest fear is Genessis , the Dwarf. He is stooped in the center of the garden. He doesn't speak, he doesn't smile. He is very serious. I think he sleeps there, standing up.








The gardener and his machine , the rains and the Dwarf of the garden are the dark side of paradise. 

However, the big spirit of the woods, Mother Nature, loves us. I learn day by day, I'm learning,  I'm always learning.



 Luisa Ataide





























Luísa Ataíde

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Sobre Margaridas, Estrelas, Girassóis e Melancias- CONTO


Pouco sabemos sobre a vida secreta das plantas, o que sentem, o que pensam, como gastam seus melhores momentos. O certo é que naquele dia as margaridas estavam inquietas, movidas pelo mais feminino dos sentimentos: a curiosidade.

_ Com certeza serão girassóis, disseram.

As primeiras estrelas olhavam lá de cima o burburinho das margaridas e discordaram;

_Sem dúvidas, serão melancias! Nós conhecemos as sementes.

_ Melancias? Como vocês podem confundir? Sintam o perfume... e olha que disso nós entendemos.

Bem, como ninguém convenceu ninguém, preparam-se cada qual a seu modo para receber flores e frutos.
Muitas cartas recebeu a chuva; que viesse dia sim e dia não, mas que chegasse com delicadeza, assim sem muito barulho. Outras tantas recebeu o sol, pedindo que quando fosse por lá, passasse antes na casa da brisa, filha mais nova do vento.
À noite as estrelas guardavam os canteiros, torcendo por cada caule fininho que se estendia na terra:
_ Hum... visto assim de longe, nós estávamos certas, os caules se espalham cada vez mais pelo chão... por certo teremos frutos.

Não se cansaram da vigília as margaridas:
_ Ora, visto assim de perto, tínhamos mesmo razão... os caules se erguem do chão... por certo teremos flores.
Como o tempo tira todas as dúvidas, fez dos canteiros entrecortados, um pomar de girassóis num jardim de melancias. E porque margaridas e estrelas diminuindo distâncias acolheram flores e frutos, contam os antigos que ali nasciam flores de sabor adocicado, e no Outono o melhor mapa para encontrar o Jardim das Melancias era colocar o nariz ao vento.

A terra quando expele a semente traz à luz a vontade do semeador porque também assim são os homens; sementes diferentes com histórias diferentes. Se um ponto dessa história de vida seja nos encontrarmos aqui, neste planeta, os que aqui te encontram te acolhem.

Bem-vindos sejamos todos.
L.A

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