terça-feira, 19 de janeiro de 2010

MISS ALOA GREEN- CONTO




Being a Caterpillar can seem to be easy, but when everything in your circuit is very big, every day is a dangerous game. 
I am from this garden, it's my home. I see the stars in the dark sky, I feel the wind blowing through the trees.

 I get up early, at four o'clock, before the sun rises. I live under the grove of trees, next to the white wall. I think there is life beyond the white wall, but the earthworms laugh at me; they don't believe it can be true.

However, he does. He is a Catterpiller like me. He is handsome. Every day he walks in front of my window: _ 

Good morning, Miss Aloa! 
-Good Morning! 
- It's nice to see you!
 _ It's nice to see you, too Mr. Gilbert! 

He and his umbrella go at noon.

In the winter, it doesn't snow, but it is very cold. I wear boots. Hom many? Sixteen. 
The summer is my favorite season. There are fruits, flowers and the bird's sing. Thus are the summer days in the South America.
But nothing is perfect in this world. On Saturday the gardener waters the plants. He makes an ocean in our lifes. Then, I go to school by boat. That is not all... when he uses the lawn mower... it is the "Apocalipse".



My greatest fear is Genessis , the Dwarf. He is stooped in the center of the garden. He doesn't speak, he doesn't smile. He is very serious. I think he sleeps there, standing up.








The gardener and his machine , the rains and the Dwarf of the garden are the dark side of paradise. 

However, the big spirit of the woods, Mother Nature, loves us. I learn day by day, I'm learning,  I'm always learning.



 Luisa Ataide





























Luísa Ataíde

quinta-feira, 9 de abril de 2009

BRUXAS SÃO MEDONHAS



Luisa Ataide

Houve um tempo que reis, palácios, pontes e jardins compunham a paisagem daquele lugarejo, mas vieram as cruzadas e foram-se os reis e seus exércitos.
Das três torres apenas uma resistiu aos bombardeios. As flores sombreadas pelas árvores não mais cresceram e o antigo castelo na entrada da cidade passou a ser uma  casa de pedra e musgo. Os poucos habitantes do lugar quando passavam perto faziam o sinal da cruz. O portão elevadiço não mais descera à ponte e só os corvos atreviam-se em voos rasantes.
Numa noite de violentas chuvas em que raios riscavam o céu escuro, três carroças trazendo uma tribo de ciganos ali pararam em busca de abrigo. Não foram vistos na manhã seguinte e tão pouco nas outras. Desde então ouviam-se nas noites uivos e gargalhadas - mas os dias eram de perfeito silêncio.
Era uma menina linda de cabelos cinzentos e lábios levemente arroxeados. Nascera na casa e a ela pertencia. Quase não via a luz do sol e dormia entre teias e morcegos. Desobedecia ordens maternas e da fresta da torre olhava o vilarejo. Via plantas com cores esquisitas e pequenos morcegos de asas com coloridos mais estranhos ainda.
-Serão aranhas ? Mas pela pressa que voam como fazem suas teias ? E desde quando aranhas voam ? Por certo que são morcegos!
Sua tarefa diária consistia em cozinhar a sopa da família:
 

_Dedos de centopéia, miolo de javali, perna seca de perereca, sete gotas de sangue de filhote de gato, três de urina de sapo... Ah, nunca colocar sal. O sal contém o pecado da purificação e bruxas zelam por ser ...ME-DO-NHAS !
 

Magnólia crescera entre os pátios escuros e estátua de seres tridátilos. Via da torre da casa os trigais tombados pelo vento e moças com tranças da mesma cor que eles. Riam sem motivo nenhum, só parando quando olhavam em direção à torre. Pressentiam serem observadas. Presságio não era então,  privilégio de bruxas. Magnólia achava as moças bonitas, por certo nem tanto quanto ela, pois os espelhos descascados da casa ora a mostrava muito gorda e baixa, ora de extrema magreza e queixo caído.
Mas , o desconhecido nos move o desejo. Resolveu na manhã seguinte, por certo que já era manhã, pois os morcegos se recolhiam, escorregar pela ponte elevadiça . Caiu estatelada nas águas escura do canal:
 

_Tudo por uma boa causa, afinal vou conhecer outras espécies de morcegos e ainda os corvos horrivelmente coloridos. É preciso ensinar a essa gente o que é realmente bonito.
 

Às vezes, um passo em direção à curva e nunca mais se volta. A menina caminhou horas seguidas, empurrada ao abismo do desconhecido. Admirou-se com o vento e com aquelas folhas coloridas que terminavam as plantas. Viu aquelas coisas nas árvores que alimentavam os corvos. Observou que aqueles corvos tinham cores nas penas e até cantavam. Sentiu fome e puxou da árvore o fruto:
  

- Até que não é tão ruim. Acho que vou acabar me acostumando.
 


Acostumou-se aos dias de sol e tardes de chuvas, com as estrelas e cantigas de roda. Fez amigos e tornou-se uma moça linda... de cabelos cinzentos e lábios arroxeados. Era uma moça... bem... só um pouco diferente. Conheceu um Oficial da Cavalaria que encantou -se com seu jeito melancólico e sua esquisitices. Casou-se e teve muitos filhos. Seus dias foram claros e escuros, e ainda hoje os estende como um grande lençol ao vento.
 

A cada sete Invernos retorna a casa de pedras, para revigorar as energias. Conta aos filhos histórias de bruxas, fortalezas e caldeirões. Ensinou-lhes a manipular porções para as dores da alma e a conversar com plantas e gatos. Os netos de seus netos espalharam-se pelo mundo.

“ É gente de conteúdo intenso que transcende a compreensão, com os dois pés no chão da realidade. É gente humilde, simplória. É gente que tem idealismo na alma e no coração, que traz nos olhos a luz do amanhecer e a serenidade do acaso. Ri, chora, se emociona com uma simples carta, um telefonema, uma canção suave, um bom filme, um bom livro, um gesto de carinho, um abraço, um afago. É gente que ama e curte saudades, gosta de amigos, cultiva flores, ama os animais. Admira paisagens. Poeira traz lembranças de chão curtido de sonhos passados. Escuta o som dos ventos. Dança a dança do mundo pelo simples prazer de dançar. É gente que tem tempo pra sorrir bondade, semear perdão, repartir ternura, compartilhar vivências e dar espaço para ternura dentro de si. Emoções que fluem naturalmente dentro do seu ser! È gente que gosta de fazer as coisas que gosta, sem fugir de compromissos difíceis e inadiáveis, por mais desgastantes que sejam. Gente que semeia, colhe, orienta, se entende, aconselha, busca, busca a verdade e que sempre aprende, mesmo que seja de uma criança, de um pobre, de um analfabeto. È gente muito estranha as Bruxas. Gente de coração desarmado, sem ódios e preconceitos baratos. Gente que fala com plantas e bichos.Dança na chuva e alegra-se com o sol. Cultuam a lua como Deusa e lhe fazem celebrações... Eh! Gente estranha essas bruxas. Falam de amor com os olhos iluminados como um par de luas cheia. Gente que erra e reconhece, cai e se levanta com a mesma energia das grandes marés, que vão e voltam em harmoniosa cadência natural. Apanha e assimila os golpes, tirando lições dos erros, e fazendo redentores suas lágrimas e sofrimentos. Amam com missão sagrada e distribuem amor com a mesma serenidade que distribuem pão. Coragem é sinônimo de vida, seguem em busca de seus sonhos, independentes das arguras do caminho. Essa gente, vê o passado como referencial, o presente como luz e o futuro como meta. São estranhas as bruxas! Acreditam no poder feminino e estão sempre fazenda da maternidade sua maior magia e através da incessante busca pela paz chegam à divindade de existir pelo amor da grande Mãe, a natureza. Da mesma forma que produzem um grande visual, de elegância refinada com as raias da vaidade, se vestem como verdadeiras Bruxas medievais a caminho do patíbulo. Iluminam de beleza e jovialidade o corpo físico com habilidade mágica e com facilidade transforma-se, permitindo um sóbrio aspecto de velha senhora , a depender da lua nos seu espírito...Cultuam as sagradas tradições como forma de cultuar as leis que regem o universo, passam de geração a geração a fonte renovadora da sabedoria milenar. São fortes e valentes, ao mesmo tempo humildes e serenas. São leoas e gatinhas, são muito estranhas as bruxas Com a mesma facilidade que manuseiam livros codificados , o fazem com panelas e vassouras...São aventureiras, dançam rock,valsas e polka, danças sagradas e inventam o que precisa ser inventado.Criam e recriam. Contam contos e histórias de fadas e carochinha, contam suas próprias histórias...Falam de generosidade e de todas as deidades em exercícios constantes, buscam a plenitude como propósito...Interessante essa gente, essas Bruxas. Se obrigam a tarefa de evoluir, de amar e dividir...falam de desapego em plena metrópole, em meio às tecnologias. Cantam mantras e músicas populares, mas se emocionam com as folclóricas. Mexem com ervas e chás, são primitivas e avançadas. Pulam da mesa do rei para um abrigo montanhês com o mesmo sorriso enigmático de prazer e sabedoria que iluminava as faces de suas ancestrais. Degustam um pão artesanal, receita medieval da velha senhora das montanhas, com a mesma gula que o fazem com um banquete cinco estrelas com pães supersofisticados daquela cozinha francesa. Amam em esteiras e em grandes suítes, desde que estejam felizes, pois ser feliz é sempre a única condição dessa gente estranha. É gente que compra briga pela criança abandonada, pelo velho carente, pelo homem miserável, pela falta de respeito humano. È gente que fica horas olhando as estrelas, tentando decifrar seus mistérios e sempre conseguem. Gente que lê em fundos de xícaras, em bola de cristal, em tarot, com pedras, na areia, nas nuvens, no fogo, no copo d’agua...Oram pelos elementais, anjos e gnomos. Falam com intimidade com os Deuses e o chamam para um círculo, fazem fogueira e dançam em volta...Viajam de avião, à pé, de carro e em lombos de animais, agradecendo pelas oportunidades que a vida lhes dá... agradecem por tudo até pela dor, que chamam de mãe, pois acreditam que é a forma mais rápida para a evolução... Se reúnem em escolas iniciativas que chamam de coven, para mutuamente se bastarem,se protegerem,se resguardarem, resgatar valores, estudar. Muito estranha as bruxas, muito estranha a fé que as mantém vivificadas ao longo de cinco mil anos...”
Texto entre aspa- Gente estranha, de Graça Lúcia Azevedo

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